Sara Velásquez in Jul 31, 2025Growth LeadNa maioria das empresas, a cibersegurança ainda é vista como uma responsabilidade exclusiva da equipe técnica ou do departamento de TI. No entanto, essa visão limitada tem se mostrado insuficiente diante do atual cenário de ameaças. A maioria dos incidentes cibernéticos não acontece por vulnerabilidades técnicas sofisticadas, mas por erro humano em outras áreas da organização: um e-mail enviado para a pessoa errada, uma senha fraca, um clique em um link de phishing.
O resultado? Violações caras, perda de confiança e danos à reputação da empresa.
De acordo com o Verizon Data Breach Investigations Report 2024, 68% das violações de segurança envolveram ações humanas não maliciosas — como erros administrativos, falta de verificação ou respostas incorretas a campanhas de phishing. Esse número permaneceu em 60% em 2025, o que demonstra que o fator humano continua sendo o elo mais fraco da cadeia.
Mesmo com investimentos em firewalls, antivírus e soluções SIEM, se as pessoas não estiverem preparadas, a organização continua vulnerável.
O relatório Cost of a Data Breach 2024 da IBM revelou que o custo médio global de uma violação foi de US$ 4,88 milhões, e nos Estados Unidos esse valor chegou a US$ 10,22 milhões — principalmente devido a gastos com contenção, interrupções operacionais, multas regulatórias e perda de reputação.
Mais alarmante ainda: as violações que demoram mais de 200 dias para serem identificadas e contidas podem custar 23% a mais do que aquelas tratadas rapidamente — e a falta de preparo das equipes não técnicas é um fator-chave por trás desses atrasos.
Uma cultura de cibersegurança vai muito além de cumprir um checklist de políticas ou implementar tecnologia de proteção. Trata-se de integrar a consciência de segurança em todos os níveis da organização, desde o CEO até o time de atendimento ao cliente.
Envolve uma mentalidade proativa, onde cada pessoa entende seu papel na proteção das informações e dos ativos digitais.
Não basta que os especialistas de TI estejam capacitados; áreas como finanças, recursos humanos, operações, marketing e vendas também precisam estar informadas e alinhadas.
Educação contínua: os ataques evoluem, e o treinamento deve ser constante. Não basta uma indução anual.
Comunicação transversal: compartilhar informações relevantes, lições aprendidas e indicadores-chave com todas as equipes.
Liderança visível: líderes devem dar o exemplo, assumir seu papel e participar ativamente das iniciativas de segurança.
Simulação e prática: simulações de phishing, testes de resposta a incidentes e exercícios de conscientização reforçam o aprendizado.
Reconhecimento e incentivos: promover atitudes proativas e recompensar comportamentos seguros ajuda a manter o engajamento.
Um dos casos mais relevantes de 2024 foi o da Snowflake, empresa de armazenamento de dados em nuvem. Um invasor conseguiu comprometer credenciais de clientes devido à ausência de autenticação multifator (MFA) em contas críticas.
Não foi uma falha tecnológica, mas sim um descuido operacional e cultural: não havia uma política clara nem uma cultura que exigisse boas práticas de segurança em todos os pontos de acesso. O resultado foi a exposição de dados críticos de mais de 160 empresas clientes.
Outro caso frequente são os golpes de Business Email Compromise (BEC), onde um colaborador da área financeira recebe um e-mail aparentemente legítimo do CEO ou CFO solicitando uma transferência urgente.
Esse tipo de ataque, baseado em engenharia social, causou prejuízos de milhões de dólares — e ocorre por falta de treinamento e protocolos claros, não por falhas técnicas.
Empresas grandes geralmente possuem departamentos de segurança bem estruturados. Pequenas empresas muitas vezes contam com soluções terceirizadas.
Mas as empresas de médio porte (entre 50 e 500 funcionários) são as que mais sofrem: estão suficientemente expostas para serem alvos valiosos, mas nem sempre têm os recursos ou a cultura interna para se proteger adequadamente.
Em muitos casos, não há um CISO formal, e as responsabilidades de segurança ficam espalhadas entre TI, operações ou até gerências gerais.
Sem uma cultura bem definida, a segurança se torna uma “caixa-preta” que ninguém sente como sua responsabilidade — e é aí que os erros acontecem.
Aqui estão algumas recomendações práticas que podem ser aplicadas em qualquer empresa, independentemente do tamanho ou setor:
Incluir a cibersegurança desde o onboarding: todo novo colaborador deve saber desde o primeiro dia que proteger a informação faz parte do seu papel.
Tratar segurança como tema regular em reuniões internas: comunicar métricas, incidentes e boas práticas.
Realizar simulações de phishing e analisar os resultados: não para punir, mas para educar.
Nomear “champions de segurança” em cada equipe: pessoas não técnicas que se interessem em promover hábitos seguros.
Fazer parcerias com plataformas especializadas para facilitar treinamentos, diagnósticos e suporte estratégico.
Na Seccuri.com, entendemos que construir uma cultura de cibersegurança não se alcança com uma única capacitação, e não é responsabilidade exclusiva da equipe técnica.
Por isso, oferecemos soluções que permitem:
Avaliar as lacunas de conhecimento em toda a organização, não só em TI.
Criar planos de carreira personalizados, de acordo com cada função.
Fortalecer habilidades essenciais em todos os níveis, da base até a alta liderança.
Conectar empresas com talentos especializados em cibersegurança, preparados para liderar ou apoiar iniciativas de cultura e gestão de risco.
Acompanhar a evolução organizacional com diagnósticos do programa atual de cibersegurança, com base no perfil de risco e apetite de risco, e definição de iniciativas para fechar lacunas críticas de capacidade.
A pergunta não é se sua empresa tem firewalls ou se o time técnico está treinado.
A pergunta essencial é:
Sua organização vive uma cultura de cibersegurança onde todos se sentem parte do problema e da solução?
Se a resposta não for um “sim” com convicção, é hora de agir.
Acesse Seccuri.com para saber como podemos ajudar a fortalecer sua cultura organizacional ou agende uma conversa de 30 minutos com nosso time aqui.
A próxima violação não depende de se, mas de quando.
A diferença estará em quão preparada sua organização estará para detectá-la, contê-la — e evitá-la — de dentro para fora.
IBM Security. (2024). Cost of a Data Breach Report 2024. IBM Corporation. https://www.ibm.com/reports/data-breach
IBM Security. (2024). Cost of a Data Breach by Industry: Industrial. https://www.ibm.com/think/insights/cost-of-a-data-breach-industrial-sector/
Verizon. (2024). 2024 Data Breach Investigations Report (DBIR). https://www.verizon.com/business/resources/reports/dbir/
Mimecast. (2025). 60% of breaches involve human error, Verizon finds. https://www.mimecast.com/blog/verizon-60-of-breaches-involve-human-error/
SecurityWeek. (2024, July 18). Cost of data breach in US rises to $10.22 million. https://www.securityweek.com/cost-of-data-breach-in-us-rises-to-10-22-million-says-latest-ibm-report/
UpGuard. (2024). Cost of a Data Breach: Statistics and Trends. https://www.upguard.com/blog/cost-of-a-data-breach-2024
SpyCloud. (2024). Verizon 2025 DBIR: Human Risk Is Still Cybersecurity’s Biggest Weakness. https://spycloud.com/blog/verizon-2025-data-breach-report-insights/
Security Magazine. (2024, July 11). Verizon 2024 DBIR: Human element remains top risk. https://www.securitymagazine.com/articles/100629-verizon-2024-data-breach-report-shows-the-risk-of-the-human-element